Ementas de minicursos

Minicurso 1

Retratando tiranos no Império Romano

"O minicurso tem como objetivo analisar a constituição semântica dos Tiranos no Império Romano, dando destaque para o imperador Tito Flávio Domiciano, que governou de 81 a 96 de nossa era. Para isso, dividiremos o curso em três momentos.

O primeiro encontro será destinado ao entendimento do Império Romano. Nele será apresentado um breve panorama historiográfico. Nesse sentido, serão trabalhadas as formas pelas quais o saber histórico é utilizado para analisar e explicar o Império Romano, circunscrevendo assim o recorte temporal utilizado do curso entre o século I a.C. até o início do século II d.C.

O segundo encontro será direcionado ao tratamento da figura do tirano no mundo antigo. Nesse momento, cabe analisar a construção retórica do tirano a partir de diversos relatos literários produzidos durante a Antiguidade. Tomamos Heródoto como ponto de partida (Hdt., I, 98; 99), apresentando, a seguir, permanências semânticas que compõem o retractus do tirano antigo. Para tal composição primeiramente será dado destaque aos elementos retóricos da composição discursiva antiga, como a narrativa, o exemplo e o retrato; em seguida, será evidenciado dois fundamentos basilares que compõem a semântica do tirano antigo: o isolamento (secretus) e o desejo (eros).

O último momento será destinado à análise especifica do imperador Domiciano. Aqui será dado destaque ao tratamento documental, apresentando e contextualizando as fontes que retratam o imperador Domiciano. Neste momento, trabalharemos com os alunos os limites e as possibilidades dos estudos históricos que circunscrevem o período em foco. Será dado ênfase às estratégias retóricas utilizadas pelos agentes históricos do século I para comporem o retrato do último dos imperadores flavianos, evidenciando, juntamente, como os historiadores modernos se apropriam da documentação
para o estudo do Império Romano.

Dessa forma, o curso busca apresentar, em linhas gerais, as especificidades de uma documentação típica do historiador da Antiguidade, colocando em evidências os modelos, os métodos e as formas de leituras possíveis do mundo antigo, ao mesmo tempo em que objetiva estimular os alunos a pensarem problemas antigos emodernos acerca dos tópicos levantados ao longo do curso."

Minicurso 2

O lugar das teorias de gênero nos estudos sobre o Tribunal do Santo Ofício: problemáticas, historiografia e possibilidades de pesquisa.

"Este Minicurso parte da necessidade de questionar quais lugares de análise a categoria de gênero tem adquirido nas últimas décadas, mais precisamente no contexto da historiografia luso-brasileira, acerca dos estudos voltados ao Tribunal do Santo Ofício. Ao relacionar gênero, religiosidade e Inquisição, pretende-se mostrar como as teorias e conceitos contemporâneos sobre gênero e sexualidade são aplicáveis às mais distintas temporalidades que não o mundo presente."

Minicurso 3

O Cinema Documental e as Memórias das Ditaduras no Cone Sul

"Este minicurso propõe-se a pensar as reflexões que o cinema, especialmente o documental, realiza acerca dos variados aspectos referentes ao chamado 'boom da memória', principalmente àquela relacionada às experiências traumáticas das ditaduras vigentes no Cone Sul entre as décadas de 1960 a 1980. A nossa proposta é tentar compreender como os documentários trabalham com as memórias elaboradas nesses regimes autoritários e como tais produções cinematográficas apresentam as disputas em torno de quê e de como se deve lembrar (ou esquecer) desse passado sensível. O minicurso será dividido em três momentos. No primeiro, indicaremos, em linhas gerais, apontamentos teóricos que versam sobre as relações entre a história e memória. No segundo momento, apresentaremos como os pontos de contato e de afastamento entre essas duas formas de representação do passado podem ser aplicados na compreensão dos muitos usos desse passado recente, marcado pelos períodos ditatoriais. E por fim, vamos exibir e debater o documentário 'Nostalgia da Luz', do cineasta chileno Patricio Guzmán. Assim, esperamos contribuir para o diálogo existente entre arte e política e cinema e memória."

Minicurso 4

Transculturação e hibridismo: relações culturais sob nova abordagem

Os avanços tecnológicos dos meios de transporte e comunicação possibilitaram a aproximação como nunca dantes. O contato mais frequente entre indivíduos dotados de formação humana e cultural distintos nos põe à prova. Do continente Americano, com sua multiplicidade étnica, especialmente indígena, pode surgir ama resposta plausível. Se o hibridismo iniciado ainda na África, a se espalhar por todos os continentes a partir de grupos nômades, e, em sendo revivificado no século XVI com as grandes navegações, se torna ainda mais pungente em nossa era globalizada, temos diante de nós oportunidades, mas, também desafios com os quais temos de lidar. A xenofobia ante a questão dos deslocamentos de refugiados, a desconfiança cultural perante a diferença do outro e a ameaça de uma homogeneização cultural equivocada, que atende a interesses particulares, são exemplos de alguns desafios. A velocidade e fugacidade com que esses contatos vêm ocorrendo torna traumático um processo inevitável e até admissível como natural, dada a ânsia humana por exploração de novos territórios. Se agarraremos esse processo como oportunidade de aperfeiçoamento evolutivo ou se insistiremos em repetir visões maniqueístas quanto a pureza racial e cultural, julgando a mestiçagem como degeneração, é a questão que deve ser refletida e discutida.

Minicurso 5

Introdução ao nu no entresséculos e o preponderante traço da modernidade.

"O corpo da mulher nua como objeto de pintura não é algo raro. Desde de alegorias de Vênus a vaginas expostas, o corpo da mulher sempre foi objeto do olhar masculino, ou do male gaze, como diria Laura Mulvey. O nu, diferentemente do rotineiro “pelado”, pressupõe um olhar sensível a um determinado corpo – corpo este voltado para apreciação corpo artístico e não apenas por sua sexualidade inerente. E assim delineamos nosso objetivo aqui que é compreender como o corpo nu feminino se transforma, mais ainda, como o olhar para o corpo feminino se transforma. O homem pintor ao retratar mulheres nuas traz à luz detalhes específicos e, nos séculos XIX e XX, a técnica, a forma e os próprios objetos se transformam. Nosso foco será em obras brasileiras, de artistas como Baptista da Costa, Eliseu Visconti, Belmiro de Almeida, Almeida Junior, Arthur Timóteo da Costa, e americanos como George Bellows, Robert Henri, John Sloan, Romaine Brooks e Edward Hopper."

Minicurso 6

A História pelo olhar da Mulher Indígena: protagonismo, cotidiano, espiritualidade e sensibilidade

Ministrante: Drª. Aline Rochedo Pachamama

(Doutora em História Cultural pela UFRRJ e Idealizadora da Pachamama Editora)

REALIZAÇÃO

APOIO

Articulação dos Estudantes de História

Universidade Federal de Viçosa

Centro de Ciências Humanas Letras e Artes

Departamento de História